quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Final do Ânus...

Não, não é um erro ortográfico nem nenhuma obsessão da minha parte com esta parte do corpo tão peculiar e muito menos um trocadilho merdoso com a época do ano que se avizinha. É apenas a constatação de um estado de espírito que me invadiu nesta quadra natalícia e que se arrastou até agora. Respondendo já à pergunta que se impõe fazer, "O que é que o cu tem a ver com as calças?" eu digo: o meu, está uma desgraça!! F****ram-me no Natal com serviços atrás de serviços, a apanhar temperaturas a rondar os escaldantes -3ºC e agora, no final do ano, altura em que eu pensei que me ia conseguir sentar outra vez... Taruz! Mais uma f***! Servicinho até às 24H00 do dia 31!
Agora já percebem o título, não é? Com f**** destas não há cu que aguente! E o meu está nas últimas...

P.S.- Eu prometo que no início do ano novo deixo as lamúrias de lado. Agora vou curar as assaduras e alinhar os Shakras... BOM ANO PARA TODOS!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

É Natal, é Natal... mas só para alguns!

O Natal é, supostamente, a época que a maioria de nós, erradamente, assume como a mais importante do ano. Porque há prendinhas, porque há doces, porque há muito amor para dar, porque fazemos os possíveis e os impossíveis para vermos pessoas ausentes à anos, etc, etc. Não querendo divagar muito sobre a época natalícia, porque o meu conceito de Natal mudou muito nos últimos tempos, apenas digo que se para mim, como adulto, o Natal já não é o que era por muitos e variados motivos, principalmente porque este ano não poderei estar com a minha família porque vou estar a trabalhar, para as crianças continua a ser uma época mágica, de excitação enquanto as prendas não chegam, de ansiedade antes de as abrirem, o extravasar de alegria quando recebem algo que querem muito. A minha filha não é excepção. O acto de montar a árvore de natal  foi para ela um momento especial que eu tenho o dever de lhe continuar a proporcionar, ano após ano. Nada me deixa mais feliz do que vê-la feliz, seja ao receber uma prenda de que gosta, seja a brincar com ela e fazer vir ao de cima o meu lado "giganticamente" infantil, seja apenas por dizer que a amo. E ouvi-la dizer que também me ama com aquele sorriso maravilhoso que me derrete sempre é a maior prenda que eu posso receber. E isto sim, é o Natal que eu tento que exista todos os dias. 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Chefe, mas pouco...

Todos nós já tivemos aqueles dias em que não nos apetece ir trabalhar porque estamos desmotivados, maldispostos, sem vontade nenhuma sequer de nos levantarmos da cama. E quando pensamos que temos que o fazer porque somos obrigados, sabendo de antemão que ao fazê-lo vamos ter que aturar o nosso "querido" chefe de quem já estamos fartos de aturar merdas porque o/a gajo/a é um ser intragável, então o pesadelo é mesmo complicado de ultrapassar. No meu caso, vejo no meu chefe uma pessoa frustrada que descarrega os problemas pessoais em cima dos alvos mais fáceis que são os seus subordinados. É daquelas pessoas com um feitio mesquinho que acham que têm sempre razão, que stressam com as coisas mais insignificantes e que, acima de tudo, não aceitam serem confrontados com argumentos mais fortes que os seus. Como é que se lida com um mamífero destes? Como já ando nisto há uns aninhos e já lidei com filho de muita mãe deixo-vos aqui a fórmula do estudo que fiz com este espécime:
Relação Causa/Efeito:
- Mínimo de contacto físico e verbal. Descobri que se me mantiver calado e me deslocar ao estilo ninja, existem grandes probabilidades de ele se esquecer que estou ali, logo não me dirige a palavra, logo não há conflito.
- Quando erro e tenho consciência disso e o chefe já vem de pica afiada para me dar uma bronca a humildade é a melhor táctica. Admitir que se errou e que não vai voltar a acontecer desarma-o num segundo. O discurso de superioridade que tinha preparado transforma-se em "Vá, ok. Mas tenha lá atenção a isso". Nada como passar a mão no lombo do animal...
-  Quando o contacto é inevitável, o silêncio é de ouro. Deixá-lo falar sem lhe dar muito troco faz com que se sinta estúpido por lhe parecer que está a falar sozinho e isso resulta num embaraçoso momento de reflexão.

É que mandar é fácil. Comandar é um bocadinho mais difícil...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ele há cada animal!!

Ainda nem refeito estou da parasita constipação que se colou a mim como uma sanguessuga a sorver-me a saúde e já tenho que levar com mais um cromo! Estou eu tranquilo no Posto, durante a minha hora sagrada da refeição, e eis que o telefone toca. Não é de estranhar porque agora que começou a nevar isto virou um pandemónio... Ele é estradas cortadas, acidentes com fartura, putos a partir vidros de carros com bolas de neve (que mais parecem bolas de golfe) para festejarem o encerramento das escolas e as entrevistas na televisão, senhoras a telefonar porque o estúpido do gato dormiu fora e ficou colado à árvore... Enfim, um circo. E o palhaço, bêbado que nem um burro, não tardou a aparecer com o telefonema (aqui resumido) que fez para o Posto:

Palhaço: "Tou! O meu nome é "Shhehrmlarf" e estou á procura da minha filha!
Geninho: "Boa tarde, podia repetir o seu nome? Estou a ouvi-lo mal!"
Palhaço: "Shhehrmlarf! Onde é que anda a minha filha?"

Por esta altura deu para perceber que a carroça era gigantesca. Quando não se consegue dizer o próprio nome isto torna-se óbvio. Respiro fundo e respondo:

Geninho: "Onde quer que ela esteja, estará bem concerteza. Mas em que é que posso ajudá.lo?"
Palhaço: "Ela tá na escola. Mas ainda não deu sinal de vida. Ela vem para casa?"
Geninho: "De certeza que vai. Aguarde sossegado que ela chegará a casa bem."

Desligo o telefone e continuo o almoço. Cinco minutos depois outro telefonema. Quando pensei que já estava livre do Palhaço, eis que aparece o Mimo:

Mimo: "Onde é que está o meu irmão?"
Geninho: "Se o senhor quer gozar com alguém, escolheu o local errado. Quer uma sugestão? Procure no Jardim Zoológico!"

Nunca teria respondido tal coisa se a pessoa não fosse a mesma e não estivesse literalmente a gozar. Há pancadas para tudo mas aqui no Geninho só bate quem eu deixo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

OK? Não. KO!!

O Geninho está KO. Está de rastos. Um trapo. Sem energia, sem genica sequer para ripar do bastão! Quem anda à chuva molha-se e o Geninho apanhou uma molha daquelas. Roupas húmidas no corpo misturadas com umas correntes de ar pelo caminho só podem dar nisto. Num KO que nem o Rocky conseguiria. Ele é nariz entupido, garganta irritada (agora é que não engulo sapos) e olhinhos de quem fumou aquelas coisas que fazem rir. A seguir vêm a dores no corpo e a aquele estado de ebulição corporal que resulta em alucinações! Qual é a recomendação para estes sintomas? Cama! O que é que o Geninho vai fazer? Trabalhar! Porquê? Porque o Geninho é um duro (ou estúpido, se preferirem) e não se vai resignar aos sintomas! Vou ali beber um chazinho e volto já!

sábado, 13 de novembro de 2010

10 coisas que nunca deve dizer a um Geninho

1 - "A carta de condução? Claro! Mas não consigo tirá-la da carteira se o senhor não me segurar na cerveja!"
2 - "Se eu já ingeri bebidas alcóólicas hoje? Não, eu não bebo! Só fumo ganzas!"
3 - "Não me vai revistar a mala do carro, pois não?!"
4 - "O meu bastão é maior que o seu!"
5 - "Você tem uma arma porreira! Tenho uma igualzinha a essa debaixo do banco!"
6 - "Você devia vir a mais de duzentos para me acompanhar! Bom trabalho!"
7 - "O senhor sabe porque é que me mandou parar? Sim? Ok, ao menos um de nós sabe!"
8 - "Eu pago o seu ordenado!"
9 - "Devia era andar atrás dos ladrões e dos bandidos que andam aí a roubar! Não atrás dos bêbados que conduzem!"
10 - "Eu não bati em ninguém! Ele é que escorregou e deu de caras como meu punho!"

Aviso: O resultado de uma bacorada destas pode dar direito a entrada grátis em qualquer unidade hospitalar ou a uma estadia em regime de meia pensão na nossa rede nacional de calabouços.

sábado, 6 de novembro de 2010

Injustiças do Car*****

Um Geninho deve ser justo ou pelo menos tentar sê-lo. Deve defender os valores que são a base da Justiça no nosso país, preservá-la e aplicá-la sempre que pode.
É por acreditar em tudo isto que hoje me sinto revoltado. Digam de vossa Justiça:
Será justo que quando uma mulher fica grávida, as amigas lhe façam carícias na barriga e digam 'parabéns', mas que ninguém apalpe os tomates do marido e diga "Excelente trabalho!!"??

A Justiça não tem um único olho que veja o óbvio!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Discurso de ouro e lata!

Foi-me enviado um mail com esta pérola da literatura que não resisto em partilhar aqui.

EM ELEIÇÕES


O nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo da nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

COM CINCO ANOS E MEIO DE GOVERNAÇÃO

Agora leiam o mesmo texto da última á primeira linha. Demasiado real, não é?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Manias

Mitra - Bazem daqui bófias! Este bairro é nosso!
Geninho - Negativo meu caro mitra, o bairro é dos contribuintes "que trabalham " e que descontaram para isto poder ser construído.
Mitra - Vocês não podem vir aqui e perseguir os nossos boys assim!
Geninho - Não temos culpa de vocês serem burros de fugirem sempre para o mesmo sítio.
Mitra - Aqui ninguém fez nada! Bazem daqui!
Geninho - Pois é. Se tivessem feito alguma coisa de bom provavelmente não eras deliquente.
Mitra - O qué que me chamou?
Geninho - O sinónimo de socialmente inadaptado!
Mitra - Náááá! Assim já é demais! Táme a chamar nomes? Vou chamar a SIC e a TVI pa virem aqui filmar isto!
Geninho - Boa! Pode ser que alguém te reconheça pela merda que andas a fazer e te ponha na cana mais cedo...

sábado, 30 de outubro de 2010

Ectoplasmas

Cidadão na 3ª idade - Preciso da vossa ajuda!
Geninho - Concerteza caro cidadão! Onde é que a nossa humilde colaboração pode contribuir para solucionar a enfermidade que o assola?
Cidadão na 3ª idade - Hã??!!
Geninho - Como é que eu lhe posso ser útil?
Cidadão na 3ª idade - Aaahhhh! Não estava a conseguir captar a essência da sua generosa e humilde convicção de contribuir e zelar para o meu bem estar!
Geninho - O quê?!
Cidadão na 3ª idade - Deixe lá! Olhe, venho cá porque a minha casa está assombrada!
Geninho - Assombrada?! Você está a gozar comigo?
Cidadão na 3ª idade - Pela minha parca saúde! É a mais pura das verdades!
Geninho - E porque é que diz tal coisa?
Cidadão na 3ª idade - A minha mulher vive lá...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Móveis ao volante!

Geninho - Boa tarde Sr. Condutor!
Condutor - Boa tarde! Há algum problema?
Geninho - Para mim não caro cidadão, agora para si são pelo menos 120!
Condutor - 120?! 120 quê?
Geninho - 120€ de multa por conduzir a falar ao telemóvel!
Condutor - Hiiii, ó sô Guarda era uma chamadinha de emergência para a minha ama... mãe! Para a minha mãe!
Geninho - Com que então para a sua mãe, hã! Que esta prevaricação o faça reflectir sobre isto: com o dinheiro da multa e a 5 cêntimos por minuto, imagine o tempo que falaria ao telemóvel com o carro parado, o combustível que poupava e as estrelas que teria o hotel onde o senhor levaria a sua... mãe a passear!!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mudanças

Estou farto de ter pouco tempo para escrever no blog e quando tenho, a inspiração escasseia. A aldeola é parca em assuntos interessantes (aliás, há quem diga que já morreram aqui pessoas por falta de assunto) e por isso vou mudar de táctica e de formato. Pelo menos por uns tempos.

A seguir, "Curtas e... boas?!"

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Verdades...

Podem dar-nos o equipamento mais sofisticado para protegermos o nosso corpo mas não há nada que proteja a nossa alma...

sábado, 16 de outubro de 2010

Comunicação Social ou Comunicação Parcial??

Há cerca de dois anos, um conhecido jornal diário publicou uma notícia que relatava a morte de um jovem de 13 anos durante uma tentativa de furto a um armazém. Os Geninhos foram chamados ao local por alguém que presenciou o arrombamento do armazém, foram recebidos a tiro pelos assaltantes, ripostaram com legitimidade, conseguiram detê-los e levá-los à justiça. Infelizmente, durante a troca de tiros, o jovem, que se encontrava escondido na parte de trás da carrinha e sem que os militares soubessem da sua presença, foi atingido e acabou por falecer. No dia seguinte, os dois assaltantes foram presentes a Tribunal e acabaram libertados com uma medida de coacção absurda. Mas o mais absurdo ainda estava para vir com a descoberta, depois da libertação, de que um dos indivíduos detidos estava evadido de um Estabelecimento Prisional!
Depois de ler a notícia fiz, mentalmente, um filme na minha mente. Dois indivíduos decidem efectuar um assalto a um armazém. Um deles é fugitivo de uma prisão e não contente decide continuar a fazer o que o levou a ser preso. Como se isso não fosse por si só condenável, ainda levam um puto de 13 anos para lhes ensinarem a arte do ofício. Quando se vêm encurralados com a chegada dos Gendarmes, cá vai disto, tiro neles! O azar bate-lhes à porta porque não conseguem fugir e o míúdo, tristemente, morre por culpa dos cretinos irresponsáveis que o meteram naquele filme. Mas a sorte volta a bafejá-los quando a nossa justiça faz o que de melhor sabe, Merda! São libertados, a sua responsabilidade pelo que fizeram é relativizada e o mais importante, continuam vivos. Quem, ingenuamente, se deixou levar por este biltres acabou morto em tenra idade. Os Geninhos acabaram, inadvertidamente, com sangue nas mãos, arriscaram a vida para defender propriedade de terceiros e com um processo de averiguação às costas.

Mas o que mais me revoltou foi a ganância de melhores vendas, o sensacionalismo que tanta vezes condiciona e forma a opinião pública quando, para chamarem a atenção para a notícia, dão todo o destaque para a morte do jovem às mãos de um Geninho, relativizam tudo o que provocou esta tragédia e ainda vitimizam os verdadeiros responsáveis...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Pesadelo!

Quando durmo, raramente sonho. Quando sonho, raramente me lembro do que sonhei. Caras que não consigo distinguir, lugares que não reconheço, histórias confusas e sem nexo nenhum. Mas hoje...
Não sei se foram os efeitos do último post do Roupa Prática, se foram os camarões estragados que comi ou os remorsos de ter multado por excesso de velocidade um homem sem pernas que viajava na sua cadeira de rodas "kitada" (não pensem já "coitadinho do senhor, o Geninho é mau" porque o gajo fez disparar dois radares e tinha jantes que não vinham no livrete! Teve que a mamar!)
Bem, o certo é que tive um pesadelo do qual me lembro todos os detalhes! Eu que até sou um Geninho aprumado, bem fardado, botinha engraxada que mais parece um espelho, com pinta de bófia mauzão, imaginem os braços cruzados, os "Ray Ban" espelhados e o abanar de cabeça ligeiro como que a dizer: Deus perdoa, eu não! Assustados, hã? Pois bem, hoje sonhei que era completamente o oposto! Façam o filme que bem entenderem...

Cidadão Exemplar Completamente Fora De Si: - "Exijo falar com o comandante de Posto!"
Colega Geninho De Atendimento: "Calma, o que se passa prezado cidadão?" (é assim que nós falamos, a sério!)
CECFDS: "O que se passa??!! Fui multado, é o que se passa!!"
CGDA: "Bom, se foi multado é porque o mereceu, digníssimo senhor!"
CECFDS (a espumar-se, quase a ter uma embolia cerebral):  "Até posso ter merecido a multa mas não mereço a forma como fui tratado!!! Sou mandado parar por um colega seu que quase me faz capotar depois de ter saltado para o meio da estrada a tourear o meu carro com o casaco da farda e a fazer do bastão a espada que muito habilmente me espetou no capô! Mais parecia um pedinte, com a camisa fora das calças, palito no canto da boca, botas desapertadas, barba por fazer! Pensei que fosse um assalto!! Ainda me estava a refazer do susto quando me pediu os documentos com um bafo a álcool de fazer fugir o mais entupido dos narizes enquanto, precisamente, tirava um companheiro de salão que limpou na folha do seguro! Depois, a "coçá-los" como se não houvesse amanhã, com a mão por dentro das calças(!!), ao mesmo tempo que libertava sonoramente os gases acumulados do que quer que tenha comido, ficou a olhar para os papéis como se fosse um vegetal, a babar do canto da boca! E ainda teve a lata de se despedir de mim com um aperto de mão depois de me ter multado por ter encostado sem fazer o pisca, por ter a folha do seguro ilegível e por não ter inspecção!! Inspecção??!! O carro é novo!!
CGDA: Aqui tem o livro de reclamações, ou melhor, dois. Vai precisar! Já agora, sabe o nome do colega?
CECFDS: Eerrr... acho que é... Geninho! Senhor Geninho!!

Nem queiram saber o alívio que foi quando acordei e percebi que tudo não passava de um sonho. Só não percebi porque é que estava com uma ressaca descomunal... 

domingo, 3 de outubro de 2010

Geninho mail


De vez em quando tenho amigos a ligarem-me com dúvidas sobre multas que levaram, sobre acidentes que tiveram, sobre agressões que sofreram e afins. Por isso, se algum dos blogóticos tiver essas mesmas dúvidas ou outras relacionadas como o meu trabalho pode contactar-me através deste email. Terei todo o gosto em ajudar. Não imaginam a quantidade de pessoas que são lesadas das mais variadas formas porque não sabem como proceder em determinadas situações.

Sintam-se à vontade, não pagam mais por isso e ainda vos ensino um truque ou outro para lidarem com várias situações. E não se preocupem porque não vos vou impingir legislação enfadonha! Pretendo esclarecer as dúvidas que tenham de uma forma simples e compreensível, sem rodeios nem palavras caras. Cada caso é um caso e eu tentarei ajudar-vos o melhor que puder. Fiquem bem.

Novo look!

Depois de correr o fundo azul à bastonada, optei por um visual mais sóbrio.
Na foto do título apresento-vos a nossa nova companheira de serviço a Sr.ª Dona Glock 19, trajando um lindo laser vermelho como acessório.
Mitras, tremei!! :)

Espero que gostem!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Álcool... que droga!

Se há coisa com que me deparo com frequência quando fiscalizo algum veículo é aquele enebriante "bouquet" de etanol que os condutores emanam das janelas que abrem para me receberem em pânico por saberem que estão metidos num molho de bróculos. Mas o mais engraçado de tudo são as reacções deles para tentarem disfarçar o indisfarçável, como por exemplo emborcarem uma garrafa de água de penalti (como se isso fosse suficiente para disfarçar as palavras entarameladas e a imensa dificuldade em manterem-se de pé), falarem quase sem abrir a boca enquanto olham "distraidamente" para o outro lado (como se os vestígios de insectos mortos dentro do carro não fossem esclarecedores) ou então abrirem muito os olhos para tentarem mostrar lucidez (não tentem esta última porque isso não faz desaparecer as garrafas espalhadas no banco de trás e põe-vos com um ar escandalosamente ridículo que mais parece saído de um filme de terror de série B).
Quando tudo isto falha vem a conversa do costume: "Só bebi duas cervejinhas!" (sim, de dois litros cada uma!), ou "Eu nem era para ter bebido nada, só lá fui ter com um amigo!" (entretanto encontrou mais vinte amigos e eles pagaram-lhe todos uma rodada!), ou "Faça lá um jeitinho ó sô Guarda! Eu preciso do carro para ir trabalhar!" (precisas é de uma garrafa de soro fisiológico e de uma lavagem ao estômago!), ou ainda a conversa do coitadinho que o homem que apanhei hoje fez: "Epá, ó sô Guarda, veja lá isso, a minha vida já está desgraçada! Eu sou pobre! Eu aceitei ir trabalhar por menos do que o ordenado mínimo porque me acabou o subsídio!" Resultado? 500€ de multa. Lá se vai o ordenado do mês e menos muitas grades de minis para beber, se bem que me parece que o dinheiro da multa vai ser empregue noutros bens de consumo...
E este "brugêncio" a fazer-se de coitadinho porque tem trabalho, ganha pouco mas estoira-o na bebida, que se lhe acabou o subsídio de desemprego que andava a mamar sabe-se lá há quanto tempo e que, coitado, foi obrigado pelos amigos a beber umas dez imperiais de golada! Coitado??!! Energúmeno, é o que é! Desgraçado??!! Desgraçados são aqueles que querem trabalhar e não podem  e que não têm dinheiro para pôr comida na mesa!
E sabem o que me irritou mais? Depois de o termos deixado onde o fiscalizámos, demos a volta e lá ia ele, todo lampeiro, com um amigo, em direcção à tasca, a rir-se... E andam gajos destes nas nossas estradas. Dassseee!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Selo Oficial do Roupa Prática


Vou abrir uma excepção em postar um selo aqui no meu estaminé, já que o conceito deste blog é outro como já devem ter reparado, mas sendo o Roupa Prática, vale a pena a excepção!
Fica o texto e as questões que a Essência postou no seu blog.

"É verdade! O Roupa Prática está oficialmente s-e-l-a-d-o!
Não vou "impingir" ninguém a levar o selo. Pois está aqui à mão de semear e quem achar que se identifica com o mesmo, tem toda a liberdade da Essência de o levar consigo de livre e espontânea vontade! ;)"

Três questões básicas que fazem a essência do selo:

1) Define o conceito de vestir roupa prática.
  - No meu caso é simples: tudo o que não seja FARDA!!

2) Define a frase:
"As palavras são meramente a melhor forma de chegarmos a quem efectivamente gostamos!"
  - Tal como eu tenho no cabeçalho do meu blog, acho que a palavra é a nossa melhor dádiva através da qual libertamos a nossa imaginação! Como tal, que melhor que um belo poema, por exemplo, para dedicarmos a quem amamos? ;)

3) Define o blog Roupa Prática.
- Jovial, polémico, simples e ao mesmo tempo complexo, refrescante, inovador, magnético!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mitras, cheguei!!!!

Pois é, aqui o Geninho teve umas merecidas férias que apesar de curtas (são sempre nem que sejam por 6 meses), deram para relaxar a cachola e retemperar energias. De volta à minha aldeola não pude de deixar de apreciar as devidas diferenças entre esta e o local onde moro.

Durante a viagem que contemplou caminhada, comboio, autocarro e táxi (o que um gajo tem que sofrer para chegar ao trabalho) foi interessante observar as mudanças que se deram durante a viagem. A começar logo ao sair de casa. A caminho da estação de comboio passo em frente a duas escolas públicas e o que vejo? Canalhada com mochilas maiores que eles a andarem como o Quasimodo, os papás dentro dos carros estacionados em segunda fila a dizerem adeus como se não houvesse amanhã e os cafés da zona a abarrotarem com os putos a mamarem bolas de berlim e coca colas ao pequeno almoço a quem nunca disseram que não se devem ingerir as calorias diárias numa só refeição. Já na estação do comboio que entretanto chega e... numa lata com duzentos metros de comprimento não há um único lugar vago!!!! Já ouviram falar em automóveis???!!!! O preço do combustível e os engarrafamentos constantes não são desculpa!! Tenho que ir em pé agarrado ao varão (que pena não saber a dança. Dava um show do caraças) encostado a cinco pessoas ao mesmo tempo, sim porque toda a gente se quer agarrar ao varão que deve ter mais germes que uma tampa de sanita num WC público. Mas, a certa altura, eis que me surpreendo! Quando dizem que as cidades são impessoais, que as pessoas não se conhecem e que são egoístas deparo-me, dentro do comboio, com a maior generosidade possível. Partilharam comigo coisas tão íntimas que eu até dispensava algumas delas. Das cinco pessoas a quem estava encostado duas delas bafejaram-me com aquele aroma gostoso a café misturado com um qualquer salgado do dia anterior, uma outra devia ter bebido água choca porque o bafo era algo parecido com uma fossa, um velhote que vestia um fato a cheirar a raid antitraças e por fim o meu vizinho de ébano que teve a triste ideia de pegar o varão acima de qualquer um de nós. (Silêncio, porque o cheiro era indescritível). Se não tivesse estômago forte iria partilhar com eles a minha bílis! Mesmo assim, viva a partilha! Viva a generosidade da cidade! Vivam os transportes públicos! Tirem o Ministro dos Transportes do seu carro topo de gama e enfiem-no dentro do comboio em hora de ponta para ele ver como o sistema funciona!

Na minha aldeola? Os bêbados do costume na esplanada da tasca, a escola primária com vinte alunos (um deles já tem barba mas acho que o sacrifício vale a pena senão, trancas à porta!) as vacas, as cabras e os bois a pastarem no mesmo sítio, quiçá a ruminar a mesma erva e eu aqui a escrever isto na paz do silêncio! Não há nada como a vida no campo! Se podia viver sem a minha cidade? Poder podia, mas não era a mesma coisa! ;)

sábado, 21 de agosto de 2010

Aaaaaiiii sô Guarda, essa carteira é minha!

A falta de pessoal nesta zona é gritante. Tão gritante que, com muita frequência, alguns Postos têm que requisitar homens de outros Postos para efectuarem serviço nas respectivas áreas. Ora, se fazer serviço na nossa área já é por vezes difícil, então quando vamos para outras é ainda mais. Porque não conhecemos a zona, porque não conhecemos as pessoas, porque muitas das vezes não sabemos para o que é que vamos. Ou se sabemos, quando chegamos ao local, nunca é nada como se planeou.

Esta semana aconteceu-me precisamente isso. Fui patrulhar a feira anual de uma vila que, como em todo o lado nesta altura do ano, se enche de emigrantes o que para alguns trás muito dinheiro, para outros dores de cabeça. Não é difícil perceber quem é que fica com o quê... E também não é difícil adivinharem que sendo uma feira o que mais lá há são... ciganos!! Nada tenho contra esta peculiar etnia mas devo dizer que, por um lado, acho piada a certas atitudes que têm, por outro fico chateado. (e quando os geninhos se chateiam, "tá o balho armado"!). O que me faz rir nestas feiras são as frases que proferem quando passamos pelas suas bancas, do género: "Eles andem aí, eles andem aí... os preços baixos da cigana!", ou "É tudo a 3 euros, 3 euros, 3 euros. Não há aqui nada chinês, não há aqui nada falso, é tudo ao gosto do freguês, comprem, pra eu não andar descalço"! E lá vão gritando estas patacoadas, umas vezes só para provocar, outras para desviarem a nossa atenção da bancada do vizinho que, enquanto estamos distraídos, lá vai escondendo ou vendendo mais umas peças de roupa contrafeita.

A parte que me deixa chateado são os ciganos que têm cola nas mãos. Ao fim de meia hora de estar na feira percebi que a nossa presença seria importante para desencorajar os carteiristas ou ciganistas, como queiram. Mas mesmo assim há sempre algum que consegue gamar qualquer coisa. Afinal, éramos sete militares para alguns milhares de pessoas (coisa pouca!). E se os ciganos são conhecidos pela sua lábia, pela sua manha e esperteza para o que é mau, o jovem que apanhei a gamar a carteira a uma senhora não ficava a dever nada à inteligência. O puto conseguiu furtar a carteira com uma rapidez impressionante e desaparecer no meio da multidão ainda mais rápido, só que teve azar porque o Sr. Geninho tinha o turbo ligado e depressa o apanhou. Quando o abordei, já ele estava ao pé da barraca da família que começou logo a dizer: "Aaaiiiii, a criança nã fez nada, lá tão vocês a presseguir a gente!". Depois de lhe pedir para me mostrar a carteira que tinha no bolso, o rapaz disse que era dele. "Bom, sendo assim não tens problemas em mostrá-la, pois não?" Quando o rapaz tirou a carteira foi o caos. Cor de rosa com corações vermelhos da "Hello Kitty"?! Nem foi preciso dizer mais nada. O pai enfiou-lhe um cachaço que teria arrancado a dentadura ao puto, se ele a tivesse, e ainda levou uma descompostura por não saber escolher os seus alvos. É que o rapaz foi tão rápido a gamar a carteira que nem viu o que é que tirou. Foi rápido mas burro...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A minha aldeola é do outro mundo!!

Descobri recentemente que a minha aldeola é uma espécie de sucursal de Marte no nosso país. Tem seres a viver no meio de floresta em cabanas de zinco, cheias de merda até ao tecto mas que andam de jipe topo de gama e que coleccionam garrafas de vidro e as deixam devidamente alinhadas no chão para ver qual delas ateia mais rapidamente um incêndio (deve ser para fins científicos, para testar a qualidade do vidro!), tem seres seres que conduzem tractores agrícolas como quem está no WRC (as pequenas diferenças ficam-se pela parafernália de sistemas de segurança que os carros de rali têm e que os tractores... não! Coisa pouca...), tem seres que pesam 40 quilos e que acham que são o Mister Olimpia (estão a ver a Olívia Palito a comportar-se como se fosse o Brutus? O que eu me ri com isto...), tem seres que andam em carros mais iluminados que a central de Sines (descobri que o álcool lhes turva a vista e as luzes são uma espécie de farol que os guia automaticamente para casa, não sem antes fazerem contacto com outras naves estacionadas), e muitas outras espécies ainda por identificar! 

Devido à elevada taxa de ócio neste lugar e à minha alergia ao pecado da preguiça, faço-me à estrada para palmilhar uns quilómetros para acordar o corpinho e dou por mim a ser detalhadamente observado por várias pessoas que encontrei pelo caminho. No início, nada de estranho pois é normal as pessoas olharem quando passa alguém na rua. Mas no final, depois de ter dado a volta à aldeola, regressar ao ponto de partida e verificar que ainda falavam da minha pessoa já comecei a desconfiar que não era tão normal como eu pensei...

Isto é um meio pequeno onde todos se conhecem e se, mesmo com tantas espécies únicas aqui existentes, eu é que sou falado só posso concluir que o marciano... sou eu!!


terça-feira, 20 de julho de 2010

Plano de Austeridade nas Forças de Segurança????

O Polvo fez chegar o seu maquiavélico plano à minha aldeola (a partir de agora é assim que lhe vou chamar)! Depois de me começar a inteirar do funcionamento interno do Posto, descobri que tudo aqui é controlado. Só se podem gastar um X de litros de gasóleo por mês para dois carros (o que se gastar a mais tem que ser muito bem justificado, sob pena de levarmos uma porrada que é como quem diz, uma punição disciplinar), o número de fotocópias é controlado, só se pode limpar o cú com duas tirinhas de papel, o resto do cocó que ficar ou se limpa com os boxers ou lava-se no bidé (com duas gotinhas de água apenas) e até para limpar as mãos temos um aviso que diz: "Limpe apenas com duas toalhas de mão para que possamos usufruir das mesmas durante mais tempo!". Só faltava acrescentar: "O que não conseguir limpar passe na roupa ou então sopre!!". Não tenho palavras... Aliás, tenho.

Mas o que é esta m****?? Então como é que se patrulha a zona? A pé?! A contar as cabeças de gado e as oliveiras?! A derreter a sola das botas no alcatrão?! A suar que nem um cavalo debaixo de quase 40ºC?! (esta é a zona mais fria do país no Inverno mas uma das mais quentes no Verão)! E a informação como é que circula? Vão começar a treinar outra vez pombos correio ou quê?!

Deve mesmo ser o sol que está a denegrir as minhas faculdades mentais pois eu não ainda não consegui absorver estas restrições. O melhor é comprar um colete balístico e ir descarregar o stress nos porcos...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Telefone, Jipe, Acção!!

O telefone está a tocar!! O quê?? Agressões num bar?? Temos acção!! Temos acção!! Aleluiaaa!!

Depois de me conseguir levantar a muito custo, com dores nas costas e as nalgas dormentes de tanto estar sentado, lá me enfiei no jipe (por falar em jipe, que saudades do fumaça) e fomos ao bar onde os bezainas davam festinhas um ao outro. Os Geninhos a chegar e a malta cá fora, à porta do bar, à traulitada!! Como, para já, as qualidades ainda permanecem intactas, foi num ápice que o bastão ficou em riste na direcção dos gladiadores! Se estava habituado a usá-lo para dar uns amassos aqui nem foi preciso! Assim que nos viram, separaram-se e levantaram os bracinhos, do género: "Tá tudo bem senhor Geninho, já não se passa nada! O olho pendurado e a falta de dentes resolvem-se com um bocadinho de gelo!!"

Um deles era um emigrante em França, acabadinho de chegar, cheinho de saudades do vinho cá da terra, com aquela pronúncia francesa carregada: "Monsieur Gendarme, ces't tout bom, hã! Vou para a maison fechar las fenêtres e ficar sossegadinhô, hã! Guarde o baston, guarde o baston, os Gendarmes frrancese já me baterram beaucoup, não é prreciso mais, hã!". O outro desgraçado, filho da terra que por mais tempo que cá passe tem sempre saudades do vinho, mal se aguentava de pé e só dizia: "Onde é que eu deixei o copo?" Quando reparou que o outro lhe tinha partido o copo, ficou possuído, passou-lhe a zoeira (nome que aqui dão a bebedeira) e já só queria malhar no outro, outra vez!! As preocupações com os cabelos arrancados e os inchaços nos olhos ficaram para segundo plano, como se o vinho lhe fosse curar as feridas. Bem, pelo menos bêbado não sente nada!!

Quer-me parecer que afinal de contas ainda vou ter muito treino pela frente...

domingo, 18 de julho de 2010

Nem tudo é mau!

Agora que já assentei arraiais na zona mais fria do país já vos posso dar a conhecer as minhas primeiras impressões desta "grandiosa" aldeia onde fiquei instalado.

Primeiro uma correcção: Não fiquei a 250Km de casa mas sim a 307Km que são só mais 50€ de táxi!Depois, digamos que a expressão 8 ou 80 não se aplica aqui. É mais o 0,000008 e o 80! Se onde eu estava antes reinava o caos, a confusão e a desordem aqui o que reina é a tranquilidade, a pasmaceira e a ordem! E devo dizer que nem todos os meus receios se confirmaram. Tenho um quarto só para mim, casa de banho privada (a promoção também traz coisas boas), dá para cozinhar (sempre é mais barato do que comprar comida feita e poupam-se uns cobres) e o pessoal do Posto é porreiro e receberam-me extremamente bem, por isso só tenho que lhes agradecer!

"Se isso é tão bom, de é que o bófia se queixa outra vez??"

Queixo-me porque vou começar a perder qualidades! Antes não faltava aos treinos e as revisões da matéria dada (entenda-se por matéria, bastonadas, murros, pontapés, algemagens e afins) eram frequentes e o nível de satisfação do cliente andava sempre lá em cima! Agora, com a calmaria que reina aqui qualquer dia já nem consigo ripar do bastão!! Já pensei em treinar com porcos mas o pessoal daqui é muito protector em relação aos seus bens e cheira-me que o retorno de tal ousadia viria em forma de chumbo. E como os únicos coletes que aqui temos são reflectores não me apetece arriscar.

Agora vou descan..., quero dizer trabalhar!! Vou esperar que o telefone toque para ver se temos alguma acção!

P.S - Grande H, obrigado pela tua visita. Foi uma lufada da ar fresco! Aparece sempre que vieres à zona!

domingo, 11 de julho de 2010

O Geninho não tem a vida fácil...

Isto de nós termos 95% do território nacional para patrulhar é uma merda! E o de sermos promovidos é outra! Pensam vocês: "Este bófia é promovido e ainda se queixa?!" Queixo-me e não é pouco. O silêncio destas últimas semanas deve-se ao facto de eu andar a digerir a minha colocação por imposição a 250 Km de casa... por ter sido promovido! Parece que não há lugar para tantos Cabos na capital...

Esta é outra merda que me faz confusão! (desculpem-me o palavreado mas estou mesmo fo****)

Se um Geninho é corrupto, se abusa da autoridade, se mata um mitra em serviço, se entala um camarada, vai de cana. Nesta prisão, só para militares, o Geninho tem quarto privado com casa de banho, comida, cama e roupa lavada com direito a visitas todas as semanas. Não me parece mal, pois há os que fazem bem pior e têm melhores condições ainda.

Mas ponho-me a pensar. Eu estudei (e não foi pouco!), fiquei longe da família enquanto estava no curso, sou um Geninho atinado, faço o meu trabalho, dou-me bem com (quase) todos, sou promovido por mérito próprio e mandam-me para longe outra vez, a partilhar uma camarata (vá-se lá saber com quem e com quantos), com casa de banho para 3 que tem que dar para 10, tenho despesas extra com a comida que ainda tenho que cozinhar, tenho que lavar a roupa e passá-la a ferro (o tempo em que a mãezinha se encarregava destas tarefas já lá vai à muuuuiiittttooo tempo) e tenho que andar a trabalhar a dobrar para juntar umas folgas (se o comandante do posto for porreiro) para poder estar com a família.

Foda-se!!!! Ainda dizem que o crime não compensa????!!!!!!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Rexona for bófias.

Hoje vi este anúncio no intervalo de um dos jogos do mundial e não pude deixar de pensar que a pessoa que o idealizou é um mitra da pior espécie que incentiva à violência e à corrupção. Senão vejamos: As equipas  confundem um jogo de futebol com raguebi, à boa maneira do Bruno Alves, e nenhum dos seus jogadores é sequer admoestado porque o coitado do árbitro, para além de estar borrado de medo, não quer ferir sensibilidades com o fedor que emana da sua vil alma. Ao intervalo, é escoltado para os balneários por um batalhão de polícias que também levam com as ofertas generosas do público nas trombas. Depois da aplicação do produto milagroso, que também lhe devia lavar a sua alma conspurcada, eis que volta todo contente para a segunda parte e... voilá! Exibe o belo do cartão vermelho ao polícia que o ajudou e um amarelo ao seu fiel companheiro que, quiçá, não estava devidamente uniformizado. E para culminar esta cena digna de Hollywood, o público aplaude de forma exuberante transformando o árbitro em herói.

Tratando-se apenas de um anúncio (estúpido, diga-se) tem muitas semelhanças com a realidade do nosso amado país. Tentando fazer um paralelismo, eu diria que as equipas são o Governo e a Oposição, o árbitro a nossa justiça, o binómio polícia/cão são o zé povinho, que tem que levar com a merda toda quer tenha culpa ou não, e o público o grupo de empresários, políticos e demais trafulhas que exultam com as calinadas do árbitro, quero dizer da justiça, quando entalam o mexilhão e safam os seus queridos amigos das suas gigantescas trafulhices.
Com estes personagens que filme é que vocês faziam?

domingo, 6 de junho de 2010

É um incêndio?? É um vulcao em erupção?? Não, é o jipe da bófia!!!

A má vida acabou, as férias que tanto me estragaram chegaram ao fim! Finalmente!... ;(

Durante a minha curta ausência apercebi-me, ao chegar ao Posto, que só tínhamos dois veículos para trabalhar! Pois é, a reorganização das viaturas deixou-nos com o 8 e com o 80. Um carro novinho em folha, ainda com aquele cheiro a plástico no interior que só sai em patrulha quando é MESMO necessário e cujas chaves estão mais guardadas que a Casa da Moeda, e a nossa jóia da coroa que eu apelidei, carinhosamente, de "fumaça".

É um Patrol com 400000Km (eu sei que são muitos zeros mas foram os que eu contei), com as portas "presas por arames" (que convém segurar quando se abrem senão caem!), interiores que quase não existem e... a poluição que causa!!! É um daqueles jipes que, se fosse descaracterizado, ninguém sabia que era nosso porque o fumo consegue camuflá-lo de tal maneira que mais parece um predador!! É excelente para despistar carros em fuga, basta colocarmo-nos à sua frente, dar uma gazada no acelerador e... voilá!! Erupção de fumo que faz corar de vergonha o vulcão da Islândia e o mitra a malhar de frente com um pinheiro porque nem um GPS lhe safa com tanto monóxido de carbono no focinho!! Esta poluidora característica serve ainda para proteger os mitras que são transportados nos seus super-confortáveis-bancos-traseiros-tranversais-rijos-que-nem-cornos-porque-quase-que-não-têm-esponja, pois aqui a expressão "vidros fumados" é, literalmente, verdade! Assim os meninos mal comportados podem viajar completamente incógnitos sem que ninguém lhes aponte o dedo pela merda que fizeram!! Quem tentar escapar de bicicleta também não tem hipótese, não por aquilo que o jipe anda (porque por aí, mais valia ir a pé), mas sim porque a inalação da sua fragrância deixaria sem fôlego até o Armstrong! Agora imaginem esta máquina quando foi à inspecção... É claro que à primeira chumbou. Mas desenganem-se os que pensam que foi por causa do fumo. Naaaaaaão... O competentíssimo inspector, com aspecto de quem tinha saído de uma mina de carvão, afirmou que chumbou o "fumaça" porque não tinha triângulo e colete!! Depois de resolvida esta falha inacreditável o "fumaça" passou com distinção e com o prémio honroso de ter batido o record de fumo registado pela máquina do Centro de Inspecções!

O mais impressionante é que grande parte da nossa zona de patrulhamento está inserida num dos parques naturais mais importantes do país que nós, todos os dias, 24 sobre 24, ajudamos a enegrecer! Sinto vergonha em andar com um carro assim mas a maior vergonha é a de ver viaturas novas paradas em quartéis para passearem os carolas e nós, que andamos no terreno, sermos obrigados a trabalhar nestas condições...



sábado, 29 de maio de 2010

10inpirado...

As férias fazem bem a muita gente mas a mim... nem por isso! Deixaram-me sem matéria prima para trabalhar aqui no blog! Não há mitras para algemar, ninguém que se estique para lhe dar umas bastonadas, ninguém a resistir a detenções para lhes dar umas gazadas com o "pimentinha", não há gajos a fugir com carros gamados para perseguirmos com a sirenes ligadas com uns tirinhos pelo meio, nada!!!!
Só sol, praia, ócio e lazer! Deitar-me às tantas, acordar à hora que me apetece, comer bem e beber melhor, derreter o excesso de calorias no ginásio, ou seja, vida de mitra que não desejo a ninguém!!!

O que vale é que para a semana já começo a trabalhar...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Linha de apoio ao cidadão... ou não!

Sempre que telefono para um qualquer serviço de apoio ao cliente fico com a sensação de que eles devem ganhar alguma percentagem do valor da chamada que fazemos, a julgar pelas intermináveis secas que levo!  E ainda por cima são garganeiros! Não basta ganhar o primeiro que nos atende a chamada como ainda temos que ser "chulados" pelos restantes colegas dos mais diversos departamentos! E desconfio que alguns desses departamentos só servem mesmo para passar chamadas...
Há uns tempos atrás, num curso de promoção, tive uma disciplina que se intitulava de "Comunicação Interpessoal e Atendimento". Nome pomposo para "saiba como atender alguém". Ora, se aplicasse essas técnicas aos tipo de atendimento que os serviços de apoio ao cliente normalmente fazem seria mais ou menos isto:

Geninho - Muito boa noite, GNR em Cascalheira, fala o Senhor Geninho em que posso ser útiiiillll??
Cidadão (a sussurrar) - Rua das Flores, n.º 13. Venham depressa que estão a assaltar-me a casa!!
Geninho - Tenho o prazer de estar a falar com???
Cidadão (ainda a sussurrar) - O quê?? Errr, sou o Martinho. Venham depressa, ca****o. Tão aqui dois gajos a entrar pela janela!!
Geninho - Muito boa noite Sr. Martinho. Em que posso ajudar??
Cidadão - F***-se!! Você é surdo ou quê??!! Tenho aqui dois gajos a assaltarem-me a casa m**da!! Mande cá alguém!!
Geninho - Muito bem Sr. Martinho. Mantenha-se calmo! A sua casa é uma moradia ou é apartamento??
Cidadão (já a falar alto pa c*****o) - Hããã??? Você tá a brincar ou quê?
Geninho - Não Sr. Martinho! Eu tenho que saber que tipo de casa é a sua para saber o tipo de patrulha que vou mandar ao local!
Cidadão - É uma moradia c*****o!! Já me estão a limpar os sofás!!!
Geninho - Mas este é o departamento de apartamentos. Aguarde um momento por favor. Vou transferir a chamada para o departamento de moradias.
Cidadão (a levar com a música de espera) - Aiii! Já me levaram o plasma!! Estou?!!
Outro Geninho - Boa noite Sr. Martinho! Recebi a informação que a sua moradia está a ser assaltada. Em que posso ajudar???
Cidadão (já a desesperar, é claro) - Oh seu ganda b**! Já me limparam a sala de estar toda e eu...
Geninho - A sala? Mas o Sr. está a falar para o departamento de moradias mas da zona da cozinha. Só um pouco que eu vou transferir a chamada!
Cidadão - Mas... ( a levar outra vez com a música de espera). F***-se lá se foram os móveis!!
Mais um Geninho - Boa noite Sr. Martinho! A sua sala está a ser esvaziada não é assim? Muito bem. Eu tenho uma patrulha disponível amanhã entre as 15H00 e as 19H00. Está disponivel a essa hora??
Cidadão - Dísponivel os col**es! Ai, meu Deus! Eles já me ouviram!! Estão atrás de mim!!!!!! Socooorrooo!!!!!
Geninho - Os bandidos estão atrás de si? Muito bem. Quantos é que são?
Cidadão (a correr pela casa) - São doooooiiiisssss, c*****ooooo! Socorrooooooo!!!
Geninho - Só mais uma informação Sr. Martinho. Eles estão encapuzados e usam luvas, ou não???
Cidadão - Têêêmmmmm gorrooooooss!!!
Geninho - Ahhh, seu malandro. O Sr. enganou-se! Este departamento é o das meias de vidro enfiadas na cabeça. Continue a correr! Vou transferir a chamada!!
Cidadão - Socoorroo. Ahhhhhhrrrhgggh!!!
Mais outro Geninho - Boa noite Sr. Martinho, em que posso ajudar?? Sr. Martinho?? Sr. Martinho??Está a ouvir-me??
Cidadão - tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
Geninho (para o primeiro Geninho que atendeu) - Vê lá se começas a filtrar melhor as chamadas. Este deixou-me pendurado! Que falta de educação...

Pois é, havia de ser bonito!!!!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Diferença entre um Socialista e um Geninho...

Mais uma patrulha, mais um cromo para aturar!

Um homem, que voava de balão aparentemente perdido, avista-me e aproxima-se. Depois grita lá de cima:


Ele - Pode ajudar-me? Fiquei de me encontrar às duas da tarde com um amigo, já estou meia hora atrasado e não sei onde estou.

Eu (pondo em prática alguns dos meus vastos conhecimentos de Geografia) - Claro que sim! O senhor está num balão, a 20 metros de altura, algures entre as latitudes de 40 e 43 graus norte e as longitudes 7 e 9 graus oeste.

Ele - Você é da GNR, não é?

Eu - Sou sim senhor! Como é que adivinhou?

Ele - Muito fácil! O que me disse está tecnicamente correcto mas é inútil na prática. Continuo perdido e vou chegar tarde ao encontro porque não sei o que fazer com a sua informação...

Eu (utilizando toda a minha argúcia e perspicácia)! - Ah! Então você é socialista!

Ele - Sou! Como descobriu?

Eu (usando os meus dotes de investigação para concluir o que o Governo não consegue desde à 5 anos atrás!) - Muito fácil: porque você não sabe onde está nem para onde vai, assumiu um compromisso que não vai poder cumprir e está à espera de que alguém lhe resolva o problema. Com efeito, está exactamente na mesma situação em que estava antes de me encontrar só que agora, por uma estranha razão, a culpa é minha!...

Mais uma vez, quem se f#*de sempre é o mexihão!

domingo, 9 de maio de 2010

Mais uma tristeza prá reforma...

Pois é. A vida é uma montanha russa e o meu blog é o carrinho que por lá anda... Por mais que eu tente dar um tom descontraído aos textos há sempre qualquer coisa que acontece para estragar tudo! Já vou estando habituado a desgraças e ainda vou ver muitas mais mas esta tocou-me particularmente pelos contornos que teve.

Mais uma patrulha, mais um óbito. Um senhor de 42 anos de idade sem nenhuma doença crónica, sem qualquer problema de saúde grave, faleceu durante a noite e só a autópsia determinará o que lhe causou a morte. Até aqui nada do outro mundo. O problema foi tocar-me a mim recolher as declarações da mulher (uma burocracia estúpida mas necessária) em que ela teve que me descrever o que se tinha passado. E aqui entra o que me arrepiou. O falecido estava sozinho com duas crianças em casa, de 8 e 4 anos, que de manhã tentaram acordar o pai. Só com a chegada da esposa perto da hora do almoço é que se descobriu a verdade. As crianças, na sua inocência, pensavam que o pai estava a brincar e disseram à mãe que o pai não queria acordar...

O que mais me custou ainda foi estar a ter esta conversa com a senhora enquanto a criança mais nova dizia à mãe: "Mãe, vamos acordar o pai para irmos brincar! O pai prometeu!"...

Enquanto estive no quarto para verificar o corpo ficaram gravadas na minha mente as imagens dos objectos feitos pelas crianças com frases como "Amo-te Pai" escritas com a sua própria letra, as fotos da família feliz e o olhar inocente das crianças.

É preciso ter estômago para estas merdas...
Dasseee!


sábado, 8 de maio de 2010

Bater num Geninho não é boa ideia...

Mais uma noite de serviço que, pela maneira como começou, pensei que fosse ser calma. Nada mais errado! Cruzei-me com uma patrulha que ia verificar uma simples situação de ruído e decidi ir com eles, não fosse preciso ajuda para lhes pôr os tampões nos ouvidos! Assim, fomos quatro militares à situação e rapidamente descobrimos que, pelo sítio que era, aquilo podia não correr bem porque quem lá vive acha que tem o corpo esponjoso e gosta de absorver álcool em grandes quantidades e de vez em quando também fuma daquelas coisas que fazem rir...

Bem, posto isto o que é que acham que aconteceu? Pois é, depois de se falar com a besta e dizer-lhe que há mais casas à volta onde existem pessoas que querem dormir e que, ao contrário dele, gostam de ir trabalhar e que não querem saber de que cor são as cuecas da companheira, o passarão teve a triste ideia de nos chamar "filhos da senhora que recebe dinheiro em troca de sexo"!! Má ideia. Os geninhos não gostam de ver a mãe chamada para assuntos alheios. Ainda por cima quando quem o fez achou que se podia livrar da detenção esbracejando e esperneando como um peixe fora de água, só que a pica durou pouco tempo depois lhe torcermos as barbatanas... 

Como se não bastasse, sai-nos na rifa a histérica da companheira que, a gritar em plenos pulmões no meio da rua, completou a lista de insultos com "gajos que não se lavam", "gajos com pares de chifres", "outra a vez a senhora que recebe dinheiro em troca de sexo" (esta sim, é muito solicitada!) e outras coisas que não consigo descrever sem asneiras. Depois é que foi bonito! Então não é que a senhora se quis armar em Jackie Chan e vai daí deu um pontapé na perna a um dos Geninhos ali presentes que tinha idade para ser pai dela! Como bom cavalheiro que sou decidi oferecer-lhe um par de pulseiras novas e foi então que o surreal aconteceu! Ficámos mesmo a saber a cor das cuecas da senhora quando a levantei e as calças do pijama ficaram subitamente pregadas ao chão! Não foi coisa bonita de se ver... :})

Depois de reposta a dignidade da dita (senhora, entenda-se!) oferecemos uma visita guiada às nossas instalações com o alto patrocínio do Ministério da Administração Interna pelos novos carrinhos que nos deram... Um conselho: se fumarem ganza, não bebam!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Nós temos armas, não somos armas!!

Fico furioso quando me deparo com ocorrências que no início até parecem ser graves e depois descubro que não passam de caprichos de pessoas que nos tentam usar para servir interesses próprios. Fica desde já o esclarecimento: "Nós existimos para servir os interesses da população, não para servir os interesses pessoais do cidadão!" A diferença é simples: os interesses da população são (em princípio) comuns e estão salvaguardados nas leis pelas quais pautamos o nosso trabalho. Os interesses pessoais do cidadão podem ir do mais legítimo, ainda que nem sempre baseados na lei como alguns "chicos-espertos" pensam, até ao mais mesquinho que nós, gentilmente, apelidamos de "roupa suja". Neste contexto, posso dizer que a área onde presto serviço é uma gigantesca máquina de lavar roupa e nós, GNR, somos os glutões do "Presto" prontos a atacar a sujidade, tal é o número de situações destas com que me deparo durante o serviço!

Dou-vos aqui um belo exemplo:
"Uma senhora telefona para o Posto a chorar e afirma que está um homem dentro da sua propriedade e que se recusa a sair e que, por isso, ela sente-se ameaçada e com muito medo." O que é que ficavam a pensar? A velhinha está em perigo! Se calhar, o homem quer assaltar a casa aproveitando a sua fragilidade! A história continua. "Velocidade acima da média, pois há alguém em perigo, e eis que chegamos ao local e vemos um homem junto à janela a falar com alguém no interior da casa. O homem vê-nos, eu mando-o sair da propriedade e pergunto-lhe quais as suas intenções. Ele, meio choroso, diz que não sai dali enquanto a doce velhinha não lhe pagar o que lhe deve!" Mau! Então a velha é que está em perigo e ele é que chora? Será que ela lhe descascou alguma cebola nas trombas para o afugentar? "Peço à senhora para sair e ela aproxima-se em passos pesados, com o seu olhar cândido e inocente tapada pelo seu xaile de renda. A verdadeira avózinha que todos nós gostávamos de ter." Ouvidas as partes, descubro que o pobre coitado tinha passado o Verão todo a fazer reparações em casa da avózinha e que estava ali porque ela lhe tinha prometido pagar o que lhe devia, neste dia! A arder com mais de €500 e com filhos para sustentar é legítimo que estivesse desesperado! Pergunta que se impunha e que eu fiz à avózinha: "Se a senhora se comprometeu a pagar o que deve e disse ao senhor para vir cá hoje, explique-me o porquê de nos ter chamado aqui!" Acreditem que fiquei em pulgas para saber a resposta! A senhora responde-me, sem pudores: "Era para ver se o mandavam embora!"-"Aahhhhh, bem me parecia. Boa tarde minha senhora, até à proxima! Noutras circunstâncias, claro!" Estão a ver? A velhinha em perigo transforma-se rapidamente em lobo com pele de cordeiro!!

Haja paciência...

sábado, 24 de abril de 2010

À beira do abismo!

No primeiro texto que escrevi neste blog afirmei que os assuntos que iria aqui postar seriam maioritariamente relativos à minha profissão que, como em tudo na vida, tem coisas hilariantes e outras tão sérias que, pela sua natureza dramática, não devem ser satirizadas ou ironizadas. O de hoje é um desses casos em que uma patrulha normal se poderia ter tornado num episódio trágico...

Tenho a sorte de trabalhar numa zona lindíssima muito apreciada por turistas, nacionais e estrangeiros. O local onde me encontrava hoje tem tanto de bonito como de perigoso, pois a sua paisagem é deslumbrante mas a sua natureza geográfica pode ser traiçoeira. Penhascos com cerca de duzentos metros de altura não são brincadeira...
A patrulha decorria dentro da normalidade até que fui abordado por um turista italiano, que no seu inglês arranhado, me perguntou se era normal as pessoas passarem a barreira de segurança. Eu respondi que não e pensei: "Ok, mais uma turista a tirar fotos onde não deve!". Mas é nestas alturas, que nos parecem mais do mesmo, que as coisas mudam abruptamente. 
Depois de me dirigir para o local que o turista me indicou vi uma senhora, imóvel, a centímetros do penhasco, a olhar fixamente para baixo. Assim que me aproximei, ela olhou na minha direcção a chorar compulsivamente. Foi aí que me apercebi que ela estava prestes a cometer suicídio...
Tudo o que se passou a seguir decorreu em câmara lenta. Parei imediatamente, a cerca de 10 metros dela, perguntei-lhe o nome e ela respondeu entre soluços: "Soraia!" (nome fictício). Ninguém sabe bem o que dizer nestes casos. Nem todo o treino policial do mundo me prepararia para uma situação destas. Ocorreu-me dizer-lhe que ela estava num local demasiado perigoso (que estúpido, como se ela não soubesse!) e sugeri que se afastasse do precipício para conversarmos com mais calma. Qualquer que fosse o problema teria concerteza uma solução e que tirar a própria vida não seria a melhor saída. Tentei tranquilizá-la e oferecer-lhe toda a ajuda possível. Ela permaneceu imóvel e hesitante a olhar alternadamente para mim e para o precipício. Foi nesse instante que o meu coração disparou. Ou ela fazia o que lhe pedia ou atirava-se. Se optasse por esta última eu nunca teria hipóteses de reagir porque estava demasiado longe para a poder segurar. Por outro lado não queria aproximar-me demasiado para não pressioná-la. Foram 10 segundos que pareceram horas. Parece que tudo ficou suspenso à minha volta à espera que ela saísse dali, de uma maneira ou de outra...
Inconscientemente, senti que precisava de fazer mais alguma coisa para a "descongelar". Disse-lhe que ia aproximar-me para a tirar dali. Surpreendentemente, ela rodou sobre si própria, deu um passo em frente e eu segurei-a. Ela agarrou-se a mim a chorar...
Por motivos óbvios não vou falar sobre o que ela me contou acerca dos motivos que a levaram a pensar em cometer suicídio. Apenas que um dos principais motivos prende-se com o facto de ela ser doente bipolar. Isso e uma série de problemas pessoais criaram uma bola de neve difícil de parar. O reencontro com os pais foi emocionante. Agarraram-se a ela, a chorar, felizes por ela estar bem. E deixaram-me com a lágrima no canto do olho...

Só penso que ainda bem que cheguei a tempo de a convencer a viver pelo menos mais um dia. Espero que esse dia a mais faça diferença para que ela possa encontrar um rumo na sua vida. E apesar das palavras de agradecimento dos pais, que deveriam ser dirigidas ao turista italiano que me avisou e que entretanto já tinha ido embora (se não fosse ele o defecho poderia ter sido outro) o que me deixou mais feliz foi o olhar embevecido que lançaram sobre ela para lhe dizerem que tem alguém que a ama profundamente e por quem vale a pena continuar a viver.
Para mim, isso é agradecimento suficiente... 

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Violência doméstica em que as vítimas... são eles!!

A história do nosso nobre povo é repleta de violência. Começou desde logo quando D. Afonso Henriques se lembrou que queria ser rei e desatou à porrada aos Mouros e aos Espanhóis para conseguir a independência deste cantinho da Europa. Não contentes, ainda nos pusémos a navegar pelo mundo fora para violentarmos os estrangeiros que tão sossegadinhos estavam nas suas terras mas que não tardaram a vergar sob o peso da nossa espada. Quem teve a sorte de não receber o tratamento à boa maneira lusitana cedeu à tentação das bugigangas que lhes foram oferecidas em troca do seu precioso território. Nada mais justo!

Esta superficial e breve síntese ajuda, a meu ver, a explicar certos casos relacionados com reis das bugigangas (sucata, entenda-se) e outras figuras menos sérias do nosso panorama político. O episódio em que D. Afonso Henriques teve que lutar contra a sua própria mãe foi o primeiro caso de violência doméstica registada nos anais da nossa história. Ora isto também ajuda a explicar os números assustadores da violência doméstica registados no nosso país. Quem sai aos seus não degenera!!

Quando se fala em violência doméstica qual é a primeira imagem que vos vem à cabeça? A mulher encolhida a um canto, assustada, ferida sob a figura ameaçadora do seu companheiro. E se os papéis se invertessem? Se a mulher violentada física e psicologicamente fosse um homem e a figura ameaçadora fosse a mulher?
Pois é. Os homens já não são como D. Afonso Henriques. Hoje em dia há muitos que mais parecem a Heidi. Desculpem-me o machismo mas esta é a realidade. Temos recebido cada vez mais denúncias de violência doméstica em que as vítimas são homens. A vergonha de assumi-lo ainda é muita porque não se quer ser gozado por "levar na tromba da mulher", não se quer ser apelidado de "mariquinhas", de "panasca" e de outros nomes menos abonatórios à sua masculinidade.

Existem muitas mulheres que agridem os maridos de forma selvagem. Perguntaria D. Afonso Henriques: "E então umas bordoadas no focinho como resposta a tão vil cobardia?". Estas vítimas não o fazem pelos mesmos motivos que uma mulher não o faz. Por não quererem perder os filhos, pois muitas ameaçam fugir com eles, por não terem coragem para se defenderem (ou a força, porque algumas parecem pitbulls) ou por gostarem tanto da agressora que são incapazes de lhes tocar. Os efeitos também são os mesmos. Ficam fragilizados, envergonhados, sentem-se humilhados, angustiados e sem saber o que fazer. A coragem necessária para assumir que são vítimas de uma mulher tem que ser muito maior para também enfrentarem o estigma social de que também serão vítimas, muitas vezes por parte de familiares mais próximos, o que custa ainda mais.

Ultimamente e infelizmente têm sido muitas as notícias sobre violência doméstica que vêm a público, sendo que algumas delas acabam da forma mais trágica, acusando-se as autoridades de receberem as queixas mas de nada fazerem a favor das vítimas. Que isto fique claro! Não há meio de travar estes animais enquanto a legislação não o permitir, enquanto os mecanismos de apoio não forem suficientes ou enquanto o acompanhamento das vítimas não for adequado! A violência doméstica não é exclusiva entre marido e mulher. Também o é entre pais e filhos ou entre pessoas que vivam em situações semelhantes. Apesar de tudo, se tiverem conhecimento de uma situação destas denunciem. Muito ou pouco, nada se faz sem denúncia!

Vejam um exemplo de um tratamento cruel que uma mulher é capaz de inflingir a um pobre desgraçado!


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quando se bebe o juízo, o corpo é que paga!

Em vilas pequenas é normal serem realizadas, anualmente, as festas em honra do St.º X ou da N. Sr.ª Y. Aqui não é excepção. Também é normal haver vinho e cerveja a rodos para servir aos convivas durante o bailarico dançado ao som da banda filarmónica local. Aqui também não é excepção. Dito isto, já se pode concluir que há sempre aqueles que acabam a noite sem se conseguirem mexer, tal é a neblina que paira sobre eles.
O pobre desgraçado deste dia aterrou no meio da estrada, ao lado da bicicleta que habilmente conduzia, levando um condutor que passou por ali a chamar ajuda, pois não sabia se estava morto por ter sido atropelado ou se estava vivo e em coma alcoólico. Quem é que acham que ele chamou para o ir socorrer? Os Bombeiros? Nãããã. O INEM? Nem pensar! Algum familiar? Pra quê? Se calhar está pior que ele! Quem tem os meios necessários para socorrer uma vítima destas devidamente? Adivinharam. Nós, os gendarmes. Temos o aparelho do álcool para nos certificarmos que ele está embriagado. Nem foi preciso ligá-lo. Bastou vermos a quantidade de mosquitos mortos à volta dele para percebemos que aquele já não saía dali pelo seu próprio pé.

Quanto à razão que levou a pessoa que pediu ajuda a nem sequer sair do carro para se inteirar do estado de saúde do homem, tenho algumas teorias:
a) estava bêbado e nem sequer o conseguia distinguir de um cão;
b) estava bêbado e não queria ser apanhado com sangue no álcool;
c) estava bêbado e com medo que o "defunto" acordasse tipo "Exorcista" e lhe vomitasse para cima;
d) estava bêbado.

Venha o diabo e escolha.
Bom, já ter telefonado não foi nada mau...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Obras à Portuguesa!

A propósito deste post lembrei-me de uma das muitas peripécias que já passei nesta minha curta carreira (o melhor ou o pior ainda estarão para vir).

Estava eu a controlar trânsito numa das muitas obras que se fazem neste concelho (bem no meio da estrada como convém!) quando me deparo com um dos muitos "voyers" destes magníficos feitos de engenharia, (velhote reformado sem mais nada para fazer entenda-se) e presencio, mais coisa menos coisa, o que passo a descrever:

O velhote aproxima-se, confiante, e dispara:

- "Deus ma livre! Isto tá tudo mal vedado! Se um home apanha uma bubadeira já não pode ir seguro pra casa. Um gajo já vem fosco, se passa aqui e não vê o buraco, pra além da zoeira da ressaca ainda vai ter que aguentar as dores de cabeça por ter malhado com os cornos no buraco!"

A seguir, depois de ter ficado atravessado na garganta de quem o ouviu mete a conversa de circunstância para se fazer de entendido:

-Então Sr. Engenheiro? Tá tudo bem? (como se fossem grandes amigalhaços)
-Eu não sou o engenheiro, sou só trolha. O Sr. engenheiro tá ali!
-Ah, claro! É o do capacete amarelo, não é?
-Não, esse é trolha como eu!
-Hmmm! Então deve ser o do capacete vermelho...
-Também não. Esse é o encarregado. O engenheiro é o que tem o capacete branco. (entretanto murmura algo entredentes que me soa a "besta de me#$%")
-Então Sr. Engenheiro, estão a fazer obras da electricidade, hã? Isto anda mal iluminado, ainda bem que vão arranjar isso!
-Nós somos do SMAS e estamos a arranjar condutas de água para abastecimento aqui da zona. Obras da EDP são no buraco ao lado!
-Pois, já percebi! Então por isso é que eu fiquei sem água hoje de manhã! E eu a pensar que ma tinham cortado!
-Nós ainda não interrompemos o abastecimento por isso se calhar cortaram-na mesmo!
 
Hora do respeitoso velhote meter a viola no saco e ir bancar o sabichão para outra freguesia. Pôs-me a pensar que a idade é sinónimo de sabedoria o que não significa sinónimo de inteligência...
 
Depois do senhor ter voltado a correr para casa como podia, com os calcanhares quase a bater na nuca, eis que começam os trabalhos propriamente ditos. Máquinas a trabalhar, pás e picaretas nas mãos, o suor a escorrer na testa, ar sério e empenhado e... nada! Mais de sete pessoas no local, todas a olhar para o coitado do trolha que, dentro da trincheira, tentava a todo o custo disfarçar o buraco na conduta de água que o manobrador da máquina entretanto rebentou, o outro trolha, num ritmo frenético, a mandar-lhe terra para cima convencido de que o estava a ajudar, o encarregado a espumar-se de raiva com o manobrador que, sentado no seu trono de sete toneladas fingia que não ouvia, e o engenheiro atrapalhado, a gaguejar, sem saber o que fazer! (Também deve ter tirado o curso por correspondência!)
E o velhote, que entretanto voltara, a rir às gargalhadas...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Bairros Sociais

Existem muitas zonas no nosso país, principalmente nos arredores das grandes cidades, onde são construídos os chamados Bairros Sociais. Caracterizam-se pelo baixo custo de construção, com qualidade a condizer, são quase todos iguais (os arquitectos que os projectam têm uma imaginação pouco fértil) e destinam-se, normalmente, a realojar famílias carenciadas que de outro modo estariam a viver em bairros de lata num qualquer descampado disponível e têm fama de serem um foco da prática de crimes onde a "bófia" não é benvinda. Esta é a minha definição teórica que julgo ir ao encontro da maioria das opiniões.

Realidade? É muito mais do que isto. Senão vejamos: 
- Porquê que são chamados de Bairros Sociais? Cada uma destas urbanizações tem um nome próprio que nunca é utilizado. "Sou do bairro 25 de Abril." - "Qual? Ah, és de um bairro social!!" Qualquer outra urbanização tem características semelhantes e não é por isso que têm o mesmo nome. Aliás, se vivemos em sociedade, todos os bairros são sociais. A explicação é simples: esta designação é depreciativa e é usada para nos referirmos a locais que não interessam nem ao menino Jesus.
- Quanto ao realojamento, acho que é positivo. Os bairros de lata devem acabar e se as pessoas podem viver em locais mais condignos, tanto melhor. Mas a que custo? Será justo todos nós pagarmos a construção desses bairros destinados a algumas pessoas que dizem: "Se é para viver numa casa tão pequena prefiro viver na barraca. A mobília que lá tenho não cabe na casa nova!" Mais uma vez digo que a culpa é das Câmaras Municipais e dos arquitectos e engenheiros que projectam estes bairros quando, ao fazerem o levantamento das famílias necessitadas, não contemplam os seus bens para lhes poderem dar espaço para colocarem a tralha! Outra coisa inconcebível são as altíssimas rendas que sujeitam as famílias a pagar (algumas chegam à exorbitante quantia de 35 euros por mês!!!), originando dívidas de meses e meses, que o rendimento de reinserção que estas famílias têm direito e os outros rendimentos não declarados, não chegam para pagar! Isto explica o facto de algumas pessoas não investirem nas habitações e, logicamente, terem que comprar carros topo de gama! Isto põe-me a pensar. Eu é que fui otário quando pedi um empréstimo para comprar casa. Tinha agarrado numas tábuas e nuns pregos, construía uma barraca em frente à Câmara Municipal da minha zona e esperava que me dessem uma casa nova num desses bairros. Mas com pouca mobília dentro para caber toda na casa nova...
- Quanto ao espaço no interior das habitações é mais uma falsa questão. Já efectuei buscas domiciliárias em casas destas, T4 com mais de 100m, melhores que a minha casa. Ah, quase me esquecia de referir que um dos critérios de atribuição de casa é o número de membros do agregado familiar. Tem toda a lógica. Uma família maior necessita de mais espaço. O problema é que em casas onde supostamente deveriam estar a viver 4 pessoas, vivem 15! Não acreditam? Eu já vi e isso ninguém pode negar. Não é condigno, não é saudável mas é uma realidade que eu não desejo a ninguém. 
- Quanto à criminalidade... bom, isso é mais a minha praia. Pela experiência que tenho são de facto foco de problemas. Não no seu interior, porque todos se conhecem e quase ninguém se atreve a fazer nada de mal lá dentro, mas porque alguns grupos que ali residem têm uma constante necessidade de afirmação perante grupos rivais e uma necessidade enorme de protegerem o seu território. É comum ouvi-los dizer "Este bairro é nosso! Aqui quem manda somos nós!" Nada mais errado. O bairro é dos contribuintes que pagam para que eles possam ter uma casa e a única coisa que eles mandam são ofensas e agressões a quem se atreve a dizer o contrário. Apesar de haver muita gente desses bairros que condena este tipo de comportamento, não se atrevem a dizer nada porque as represálias rapidamente se fazem sentir. Os restantes estão do lado deles e insurgem-se contra nós, Polícia, quando actuamos "no seu" território. "Lá estão outra vez os bófias a bater nas criancinhas! Deixem-nos em paz! O carro que eles gamaram não vale nada! A gaja que roubaram é uma galdéria!" Acham que estou na tanga? Enganam-se. Já ouvi isto e muito mais.
- Mas quem são "eles" afinal? Sem querer dissecar muito as falhas educacionais que os levam a seguir a vida do crime, digo apenas que são, na sua maioria, jovens que optam pela via do dinheiro fácil, quer seja através de roubos ou de tráfico de droga, que se afirmam socialmente através do medo e da violência que incutem aos restantes cidadãos, que nos odeiam de morte e que não têm qualquer receio de nos confrontar, porque afinal, somos os principais obstáculos à sua "actividade remunerada".

Não quero de maneira nenhuma julgar o todo pela parte. Apesar de já ter vivido algumas situações muito complicadas em locais destes não posso dizer que todos são isto ou aquilo. Nos bairros que conheço, a maioria das pessoas são honestas, trabalham para pagar as suas contas, levantam-se às seis da manhã para irem trabalhar e merecem todo o meu respeito porque também elas sofrem com o que se passa lá dentro e muitas vezes são descriminadas pelo facto de morarem no bairro X ou Y.

Sem tirar a devida culpa aos jovens desajustados, que na sua inocência ainda acreditam no lema do Robin dos Bosques de "roubar aos ricos para dar aos pobres", julgo ser pertinente dizer que os principais culpados são os poderes locais. Concordo que dêm melhores condições de vida a famílias carenciadas, concordo que sejam atribuídos subsídios a quem realmente necessita mas não posso de deixar de pensar que estes locais servem para juntar o que muitos consideram ser o lixo da sociedade. Estão todos ali, sabe-se de onde vêm. Manifestavam-se à porta da Câmara Municipal, agora já se calaram. Há crimes aqui na zona? São eles, está o problema identificado, a Polícia que os ature!

O objectivo é reintegrá-los na sociedade? Pois bem. Dêm-lhes responsabilidades sociais. Obriguem-nos a trabalhar e a contribuir para o bem da sociedade. Parem de lhes incentivar a preguiça com subsídios atribuídos a pessoas que têm bom corpo para trabalhar e que recusam empregos porque vão ganhar menos do que aquilo que já recebem. Aos que realmente querem trabalhar e não conseguem arranjar emprego, procurem activamente uma oportunidade, não esperem que vos caia em cima nem usem isso como desculpa para cometerem crimes e fazerem mal a terceiros.

Porquê juntá-los a todos no mesmo sítio sabendo de antemão que os choques culturais vão causar problemas mesmo no interior dos bairros (A Quinta da Fonte não vos abriu os olhos?). Se algumas destas pessoas têm tudo de mão beijada e não aproveitam, então as regalias têm que lhes ser retiradas e dadas a quem realmente necessita. Existem demasiados "mamões" que se aproveitam das políticas sociais para viverem à grande sem que ninguém contrarie essa tendência.

São "eles" que têm que se adaptar à sociedade e não a sociedade e "eles". A isso chama-se reinserção. Enquanto os continuarem a levar ao colo isso nunca será possível, porque a ausência de responsabilidades acomoda. E o comodismo e o conformismo não se coadunam com a evolução...

domingo, 28 de março de 2010

Digam o que pensam...

Nem sempre tenho a oportunidade de perguntar às pessoas, ou nem sempre me apercebo pelas suas palavras ou acções, acerca da opinião que têm sobre as Forças de Segurança, em particular da instituição onde presto serviço, a GNR.

Acreditem ou não, o nosso trabalho pode ser o 8 e o 80. Chega a ser, por vezes, muito gratificante mas na generalidade é extremamente ingrato. Porquê? Simples. Nós existimos para servir a população e como tal é nosso dever fazer cumprir o que está constitucionalmente previsto através da aplicação das leis existentes. Até aqui tudo bem, o que está escrito é muito bonito, serve para proteger os nossos interesses enquanto cidadãos mas a sua aplicação na prática, no dia-a-dia, é muito mais complicada...
Não querendo entrar em situações específicas, porque isso daria "pano para mangas", digo apenas que tudo o que afirmei até agora se reflecte nas situações que presencio diariamente. Na "generalidade", o feedback que me chega da população é positivo mas isto pode mudar num ápice, pois a senhora que um dia nos agradeceu do fundo do coração quando lhe salvámos o gatinho assustado que estava pendurado numa árvore, porque o pitbull do vizinho fazia questão de esperar que ele descesse para ter dois dedos de conversa, é a mesma que nos vai amaldiçoar quando, uns dias mais tarde, a estamos a multar porque passou à nossa frente a falar ao telemóvel enquanto conduzia, para combinar com uma amiga o chá das cinco.
-"Oh Sr. Guarda, isto era uma chamada de emergência! Será que não dá para deixar passar?"
Quando lhe perguntamos se ela tem consciência de que não pode, e acima de tudo não deve, falar ao telemóvel enquanto conduz ela responde:
-"Eu sei mas foi só desta vez, era uma emergência!".
-"Muito bem, mas a senhora também sabe que pode parar o veículo nesta berma onde nos encontramos agora para poder falar em segurança ou então optar por usar um auricular ou melhor ainda, de não atender de todo, não sabe?"
Quando a senhora se apercebe que vai mesmo ser multada, começa com o discurso da praxe: que em vez de andarmos atrás de pessoas de bem devíamos era andar atrás dos ladrões e dos drogados e que quando precisam de nós nunca estamos lá! Resumindo e concluindo, podemos passar de bestiais a bestas num instante apenas por estarmos a fazer o nosso trabalho! E é aqui que reside a ingratidão. Somos os maiores quando servimos o interesse das pessoas mas já somos uns filhos da mãe quando "castigamos" os infractores.
Também é ingrato quando as pessoas não conseguem ver para além da farda. Não vêm o Homem que também tem problemas e que passa o dia tratar dos problemas dos outros, que também tem família mas que muitas vezes não lhe dá a devida atenção porque os horários não permitem, que ganham uma miséria quando pensamos nos riscos que correm para proteger os outros, enfim...
Tenho consciência que tudo isto pode soar a vitimização mas é a mais pura das realidades. Estes factores que acabei de referir nunca são equacionados quando formam uma opinião sobre nós embora saibamos que existem inúmeros factores que influenciam essa opinião. As experiências pessoais que têm connosco (como o exemplo que acabei de dar), através do que se vê e ouve na comunicação social ou ainda por motivos históricos e temporais (a imagem que ainda prevalece para alguns é a de que somos todos barrigudos com bigode e a cheirar a vinho, que só temos a 4ª classe e que falamos axxximm! :=D)

Lanço então o repto para que dêm a conhecer a vossa opinião. Sejam meiguinhos, afinal de contas também sou humano e tenho sentimentos... sniff, sniff. LOL







quinta-feira, 25 de março de 2010

TOCA A ESCREVER!!!

Surpreendeu-me a forma como o "bichinho" da escrita pegou por estes lados! É um facto que sempre gostei de escrever mas também é um facto que sempre fui algo preguiçoso para o fazer. Bastou um simples comentário acerca de "um determinado blog" e, pimba!! Eis que na manhã seguinte já tenho um blog criado e um bilhete a dar-me a novidade de que agora vou ter que dar ao dedo e pôr a cabecinha a carburar para manter este espaço actualizado! Sendo assim vou aproveitá-lo para opinar sobre variadíssimos temas que acho pessoalmente interessantes e actuais e, acima de tudo, exercitar a mente através deste fantástico exercício que é a escrita!
Sendo eu um elemento das Forças de Segurança (acho que o nome do blog é suficientemente sugestivo), será inevitável que a minha opinião acerca de determinados assuntos seja nesta perspectiva, pois a minha experiência diária de quem vive in loco certas situações não se pode dissociar de alguns temas.
Serão bem vindos quaisquer comentários, sugestões e afins sobre o que quiserem. Libertem a vossa imaginação, riam, chorem, revoltem-se, exultem, enfim... exprimam-se!!! Este espaço quer-se divertido e bem humorado mesmo quando se falam de assuntos sérios. Considero que o bom humor é uma permissa indispensável na vida de qualquer pessoa por isso riam, contagiem quem vos rodeia e façam felizes quem amam, pois só assim a vida faz sentido!
Duas palavras especiais para duas pessoas especiais:
Minha essência, és incansável, determinada e teimosa que nem uma mula! Obrigado por este espaço! Merecias mais elogios mas prefiro dizê-los pessoalmente!
Incógnita no deserto, sabes que te estarei eternamente grato por me proporcionares o meu primeiro espaço neste mundo dos blogs que nunca ficará esquecido (entrei hoje e ainda não está bloqueado!!! :D)! Sabes que é mais específico e que não lhe dei continuidade pelas razões que bem conheces! É um projecto para, seguramente, concretizar no futuro!

Bem-vindo!

O bichinho para escrever está ai a fervilhar, como tal tens aqui o que te faltava, o instrumento!
Deixa essa mente brilhante fluir e excelentes posts irás escrever!!
Eu e ela só estamos a dar o empurrão... de agora em diante ficaremos em sentido!