sábado, 21 de agosto de 2010

Aaaaaiiii sô Guarda, essa carteira é minha!

A falta de pessoal nesta zona é gritante. Tão gritante que, com muita frequência, alguns Postos têm que requisitar homens de outros Postos para efectuarem serviço nas respectivas áreas. Ora, se fazer serviço na nossa área já é por vezes difícil, então quando vamos para outras é ainda mais. Porque não conhecemos a zona, porque não conhecemos as pessoas, porque muitas das vezes não sabemos para o que é que vamos. Ou se sabemos, quando chegamos ao local, nunca é nada como se planeou.

Esta semana aconteceu-me precisamente isso. Fui patrulhar a feira anual de uma vila que, como em todo o lado nesta altura do ano, se enche de emigrantes o que para alguns trás muito dinheiro, para outros dores de cabeça. Não é difícil perceber quem é que fica com o quê... E também não é difícil adivinharem que sendo uma feira o que mais lá há são... ciganos!! Nada tenho contra esta peculiar etnia mas devo dizer que, por um lado, acho piada a certas atitudes que têm, por outro fico chateado. (e quando os geninhos se chateiam, "tá o balho armado"!). O que me faz rir nestas feiras são as frases que proferem quando passamos pelas suas bancas, do género: "Eles andem aí, eles andem aí... os preços baixos da cigana!", ou "É tudo a 3 euros, 3 euros, 3 euros. Não há aqui nada chinês, não há aqui nada falso, é tudo ao gosto do freguês, comprem, pra eu não andar descalço"! E lá vão gritando estas patacoadas, umas vezes só para provocar, outras para desviarem a nossa atenção da bancada do vizinho que, enquanto estamos distraídos, lá vai escondendo ou vendendo mais umas peças de roupa contrafeita.

A parte que me deixa chateado são os ciganos que têm cola nas mãos. Ao fim de meia hora de estar na feira percebi que a nossa presença seria importante para desencorajar os carteiristas ou ciganistas, como queiram. Mas mesmo assim há sempre algum que consegue gamar qualquer coisa. Afinal, éramos sete militares para alguns milhares de pessoas (coisa pouca!). E se os ciganos são conhecidos pela sua lábia, pela sua manha e esperteza para o que é mau, o jovem que apanhei a gamar a carteira a uma senhora não ficava a dever nada à inteligência. O puto conseguiu furtar a carteira com uma rapidez impressionante e desaparecer no meio da multidão ainda mais rápido, só que teve azar porque o Sr. Geninho tinha o turbo ligado e depressa o apanhou. Quando o abordei, já ele estava ao pé da barraca da família que começou logo a dizer: "Aaaiiiii, a criança nã fez nada, lá tão vocês a presseguir a gente!". Depois de lhe pedir para me mostrar a carteira que tinha no bolso, o rapaz disse que era dele. "Bom, sendo assim não tens problemas em mostrá-la, pois não?" Quando o rapaz tirou a carteira foi o caos. Cor de rosa com corações vermelhos da "Hello Kitty"?! Nem foi preciso dizer mais nada. O pai enfiou-lhe um cachaço que teria arrancado a dentadura ao puto, se ele a tivesse, e ainda levou uma descompostura por não saber escolher os seus alvos. É que o rapaz foi tão rápido a gamar a carteira que nem viu o que é que tirou. Foi rápido mas burro...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A minha aldeola é do outro mundo!!

Descobri recentemente que a minha aldeola é uma espécie de sucursal de Marte no nosso país. Tem seres a viver no meio de floresta em cabanas de zinco, cheias de merda até ao tecto mas que andam de jipe topo de gama e que coleccionam garrafas de vidro e as deixam devidamente alinhadas no chão para ver qual delas ateia mais rapidamente um incêndio (deve ser para fins científicos, para testar a qualidade do vidro!), tem seres seres que conduzem tractores agrícolas como quem está no WRC (as pequenas diferenças ficam-se pela parafernália de sistemas de segurança que os carros de rali têm e que os tractores... não! Coisa pouca...), tem seres que pesam 40 quilos e que acham que são o Mister Olimpia (estão a ver a Olívia Palito a comportar-se como se fosse o Brutus? O que eu me ri com isto...), tem seres que andam em carros mais iluminados que a central de Sines (descobri que o álcool lhes turva a vista e as luzes são uma espécie de farol que os guia automaticamente para casa, não sem antes fazerem contacto com outras naves estacionadas), e muitas outras espécies ainda por identificar! 

Devido à elevada taxa de ócio neste lugar e à minha alergia ao pecado da preguiça, faço-me à estrada para palmilhar uns quilómetros para acordar o corpinho e dou por mim a ser detalhadamente observado por várias pessoas que encontrei pelo caminho. No início, nada de estranho pois é normal as pessoas olharem quando passa alguém na rua. Mas no final, depois de ter dado a volta à aldeola, regressar ao ponto de partida e verificar que ainda falavam da minha pessoa já comecei a desconfiar que não era tão normal como eu pensei...

Isto é um meio pequeno onde todos se conhecem e se, mesmo com tantas espécies únicas aqui existentes, eu é que sou falado só posso concluir que o marciano... sou eu!!