segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Álcool... que droga!

Se há coisa com que me deparo com frequência quando fiscalizo algum veículo é aquele enebriante "bouquet" de etanol que os condutores emanam das janelas que abrem para me receberem em pânico por saberem que estão metidos num molho de bróculos. Mas o mais engraçado de tudo são as reacções deles para tentarem disfarçar o indisfarçável, como por exemplo emborcarem uma garrafa de água de penalti (como se isso fosse suficiente para disfarçar as palavras entarameladas e a imensa dificuldade em manterem-se de pé), falarem quase sem abrir a boca enquanto olham "distraidamente" para o outro lado (como se os vestígios de insectos mortos dentro do carro não fossem esclarecedores) ou então abrirem muito os olhos para tentarem mostrar lucidez (não tentem esta última porque isso não faz desaparecer as garrafas espalhadas no banco de trás e põe-vos com um ar escandalosamente ridículo que mais parece saído de um filme de terror de série B).
Quando tudo isto falha vem a conversa do costume: "Só bebi duas cervejinhas!" (sim, de dois litros cada uma!), ou "Eu nem era para ter bebido nada, só lá fui ter com um amigo!" (entretanto encontrou mais vinte amigos e eles pagaram-lhe todos uma rodada!), ou "Faça lá um jeitinho ó sô Guarda! Eu preciso do carro para ir trabalhar!" (precisas é de uma garrafa de soro fisiológico e de uma lavagem ao estômago!), ou ainda a conversa do coitadinho que o homem que apanhei hoje fez: "Epá, ó sô Guarda, veja lá isso, a minha vida já está desgraçada! Eu sou pobre! Eu aceitei ir trabalhar por menos do que o ordenado mínimo porque me acabou o subsídio!" Resultado? 500€ de multa. Lá se vai o ordenado do mês e menos muitas grades de minis para beber, se bem que me parece que o dinheiro da multa vai ser empregue noutros bens de consumo...
E este "brugêncio" a fazer-se de coitadinho porque tem trabalho, ganha pouco mas estoira-o na bebida, que se lhe acabou o subsídio de desemprego que andava a mamar sabe-se lá há quanto tempo e que, coitado, foi obrigado pelos amigos a beber umas dez imperiais de golada! Coitado??!! Energúmeno, é o que é! Desgraçado??!! Desgraçados são aqueles que querem trabalhar e não podem  e que não têm dinheiro para pôr comida na mesa!
E sabem o que me irritou mais? Depois de o termos deixado onde o fiscalizámos, demos a volta e lá ia ele, todo lampeiro, com um amigo, em direcção à tasca, a rir-se... E andam gajos destes nas nossas estradas. Dassseee!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Selo Oficial do Roupa Prática


Vou abrir uma excepção em postar um selo aqui no meu estaminé, já que o conceito deste blog é outro como já devem ter reparado, mas sendo o Roupa Prática, vale a pena a excepção!
Fica o texto e as questões que a Essência postou no seu blog.

"É verdade! O Roupa Prática está oficialmente s-e-l-a-d-o!
Não vou "impingir" ninguém a levar o selo. Pois está aqui à mão de semear e quem achar que se identifica com o mesmo, tem toda a liberdade da Essência de o levar consigo de livre e espontânea vontade! ;)"

Três questões básicas que fazem a essência do selo:

1) Define o conceito de vestir roupa prática.
  - No meu caso é simples: tudo o que não seja FARDA!!

2) Define a frase:
"As palavras são meramente a melhor forma de chegarmos a quem efectivamente gostamos!"
  - Tal como eu tenho no cabeçalho do meu blog, acho que a palavra é a nossa melhor dádiva através da qual libertamos a nossa imaginação! Como tal, que melhor que um belo poema, por exemplo, para dedicarmos a quem amamos? ;)

3) Define o blog Roupa Prática.
- Jovial, polémico, simples e ao mesmo tempo complexo, refrescante, inovador, magnético!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Mitras, cheguei!!!!

Pois é, aqui o Geninho teve umas merecidas férias que apesar de curtas (são sempre nem que sejam por 6 meses), deram para relaxar a cachola e retemperar energias. De volta à minha aldeola não pude de deixar de apreciar as devidas diferenças entre esta e o local onde moro.

Durante a viagem que contemplou caminhada, comboio, autocarro e táxi (o que um gajo tem que sofrer para chegar ao trabalho) foi interessante observar as mudanças que se deram durante a viagem. A começar logo ao sair de casa. A caminho da estação de comboio passo em frente a duas escolas públicas e o que vejo? Canalhada com mochilas maiores que eles a andarem como o Quasimodo, os papás dentro dos carros estacionados em segunda fila a dizerem adeus como se não houvesse amanhã e os cafés da zona a abarrotarem com os putos a mamarem bolas de berlim e coca colas ao pequeno almoço a quem nunca disseram que não se devem ingerir as calorias diárias numa só refeição. Já na estação do comboio que entretanto chega e... numa lata com duzentos metros de comprimento não há um único lugar vago!!!! Já ouviram falar em automóveis???!!!! O preço do combustível e os engarrafamentos constantes não são desculpa!! Tenho que ir em pé agarrado ao varão (que pena não saber a dança. Dava um show do caraças) encostado a cinco pessoas ao mesmo tempo, sim porque toda a gente se quer agarrar ao varão que deve ter mais germes que uma tampa de sanita num WC público. Mas, a certa altura, eis que me surpreendo! Quando dizem que as cidades são impessoais, que as pessoas não se conhecem e que são egoístas deparo-me, dentro do comboio, com a maior generosidade possível. Partilharam comigo coisas tão íntimas que eu até dispensava algumas delas. Das cinco pessoas a quem estava encostado duas delas bafejaram-me com aquele aroma gostoso a café misturado com um qualquer salgado do dia anterior, uma outra devia ter bebido água choca porque o bafo era algo parecido com uma fossa, um velhote que vestia um fato a cheirar a raid antitraças e por fim o meu vizinho de ébano que teve a triste ideia de pegar o varão acima de qualquer um de nós. (Silêncio, porque o cheiro era indescritível). Se não tivesse estômago forte iria partilhar com eles a minha bílis! Mesmo assim, viva a partilha! Viva a generosidade da cidade! Vivam os transportes públicos! Tirem o Ministro dos Transportes do seu carro topo de gama e enfiem-no dentro do comboio em hora de ponta para ele ver como o sistema funciona!

Na minha aldeola? Os bêbados do costume na esplanada da tasca, a escola primária com vinte alunos (um deles já tem barba mas acho que o sacrifício vale a pena senão, trancas à porta!) as vacas, as cabras e os bois a pastarem no mesmo sítio, quiçá a ruminar a mesma erva e eu aqui a escrever isto na paz do silêncio! Não há nada como a vida no campo! Se podia viver sem a minha cidade? Poder podia, mas não era a mesma coisa! ;)