quarta-feira, 18 de julho de 2012

Penso em ti e choro, desespero.
A tristeza, como um demónio,
possui-me, ignorando o que quero.
Ter-te tão perto e tão longe
é inquietude dolorosa,
aperto no peito,
enfermidade perigosa.

A busca de sentimentos é miragem,
vã esperança e pintura desfocada,
que no fim desta tulmutuosa viagem
se torna ilusão nunca alcançada.
Procuro a luz que se afigura distante,
que eu queira um dia que seja brilhante, 
suprema, eterna, errante... 

A dor deixa-me amputado,
caído, derrotado.
Mas ela também enobrece,
me ensina e me fortalece.
Senti-la é um previlégio,
pois é sinal de um amor
que perdurará para sempre.
Incondicional. Ardente. 

Um dia, saberei o que fazer
com o farrapo que trago ao peito.
Aprender de novo a estimá-lo,
a juntar os cacos de um amor,
que outrora, foi perfeito.

Fraquejámos onde deviamos ter sido fortes...
Morremos numa praia deserta, sem retorno...
A solidão invade esta alma que parte
na arte onde um dia fui mestre,

Amar-te...

-Senhor Geninho-

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Hoje descobri que o Solitário, por agora, é o jogo de cartas mais adequado para mim..."

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Condição Desumana

A vida é bela, dizem uns. A vida é um pesadelo, dizem outros. A vida é o que fazemos dela, pensam muitos.

Tudo isto é verdade, moldado pelas circunstãncias em que vivemos, pelas decisões que tomamos. Mas... e quem não tem a possibilidade de escolher? E quem apenas tenta sobreviver agarrado a uma esperança vã de que um dia tudo vai ficar bem? E quem vive constantemente envolvido na angústia e no medo de perder um ente querido? 

Ontem, vi na televisão uma reportagem que nos mostra esta realidade. Uma mãe, que viveu as alegrias de uma gravidez imaculada, sem problemas, sem sobressaltos, descobre mais tarde que a filha sofria de uma doença rara incurável que lhe tirou a visão, a possibilidade de andar e até mesmo de respirar sem ajuda. É uma menina que tenta sobreviver dia após dia mas que não deixa de sorrir, não deixa de lutar... A Mãe é uma mulher tolhida pela dor que perdeu o emprego, a ajuda dos familiares, que foi excluída socialmente... Mas esta Mulher não perde a esperança e o amor incondicional por uma criança que depende totalmente dela mas que mesmo assim mantém a sua inocente Essência...

Ao vê-las, não consegui evitar as lagrimas que carregaram a tristeza que me invadiu... E à noite, depois de contar a história à minha princesa senti a tristeza a esvair-se no abraço que lhe dei. E com ela aconchegada no meu regaço adormeci, a pensar que a minha vida é mesmo bela...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Verdades escondidas

"O altruísmo, a sensatez, a lucidez e o diálogo têm o dom de fazer transbordar os sentimentos escondidos, calcados pela dor, esquecidos pela mágoa. São também sinal de que, quando queremos, o melhor de nós reaparece e torna tudo mais fácil, mais suportável, mais digno..."

-Sr. Geninho-

sábado, 7 de julho de 2012

Pensar alto!

- Você não tem cuidado nenhum!! Por mais que eu lhe ensine você não aprende!! Teimoso!! Aii, você põe-me com uns nervos que nem queira saber!! O carro passou-lhe a centímetros do nariz e você nem viu!! Que chatice!! É sempre a mesma coisa quando saímos os dois!!

Ouço este monólogo em altos berros debitado por uma voz grasnante, às 06H30 da manhã, numa rua deserta de Lisboa. Curioso pela sonoridade peculiar, vinda de um sítio desconhecido porque não conseguia ver quem falava, continuo caminho a pensar para os meus botões que aquilo não eram modos de falar com ninguém, muito menos àquela hora e, instantaneamente, crio na minha mente a imagem de um pai a ralhar com as consequências da normal irrequietude do seu jovem filho. Vou abanando a cabeça pensando que ouvir um filho tratar o pai por "você" até é respeitoso, já o contrário é algo tão estranho como chamar "anjinho" ao Pinto da Costa. E eis que, a pensar nesta icónica figura do nosso panorama futebolístico, vejo os protagonistas deste momento. Um homem, com cerca de 50 anos, 1,50 de altura e que pelo volume corporal devia pesar uns estonteantes 40 quilos, a ralhar, qual disco riscado, com um Grand Danois que sobre as 4 patas era quase da altura do dono! Por momentos, pareceu-me que o cão olhava para ele como que a pensar se o havia de comer como snack matinal ou usá-lo para palitar os dentes...

De facto há imagens que me ficam gravadas na memória pelas razões mais peculiares como também há momentos que me ficam cravados na alma como estacas que teimam em não sair vindas de onde menos espero. E aqui está uma prova de como a minha mente me prega partidas constantemente e me transfigura completamente quem passa à frente dos meus olhos, mesmo quando penso que conheço todos os detalhes de determinadas imagens... 

"Desengana-te Geninho... a tua mente é demasiado criativa e fértil em miragens para acreditares que as imagens que ela pinta correspondem à tua realidade."